E escuto o tempo oco a respirar;
Há nele um velho e manso desafio:
Existir é perder algo para durar.
A seiva foi-se embora em seu desvio,
Mas algo ali persiste a murmurar;
Um resto de presença, quase um fio,
Que insiste, mesmo em falta, em continuar.
E eu, que penso a vida nesse instante,
Me vejo feito uma árvore também:
Por fora firme, por dentro vacilante.
Mas há no tronco oco um modo de ir além,
Pois ser não é ser pleno a todo instante,
É ainda ser, mesmo sem ser ninguém.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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