segunda-feira, 6 de abril de 2026

Onde o tempo não ousa tocar

 Não esqueço o encanto daquele dia, 
Como se o tempo 
Tivesse suspendido o próprio fôlego 
Para assistir ao instante 
Em que você surgiu. 
 
Teus cabelos dançavam com o vento 
Como se conhecessem segredos antigos, 
Como se cada fio guardasse uma história 
Que eu ainda aprenderia a ouvir. 
 
Teu sorriso... 
Ah, teu sorriso não era apenas luz, 
Era abrigo. 
Iluminava a tarde como quem acende 
Uma chama infinita do coração. 
 
E teus olhos, 
Profundos, silenciosos, reveladores, 
Me disseram sem palavras 
Aquilo que o coração demora a admitir: 
Que há encontros que não começam no acaso, 
Mas continuam de algo que já nos habitava. 
 
Desde então, carrego esse dia 
Como quem guarda um relicário invisível, 
Onde o tempo não ousa tocar, 
E a memória não precisa esforço para florescer. 
 
Porque há lembranças que não se apagam, 
Elas apenas aprendem 
A viver dentro da gente. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário