Como se o tempo
Tivesse suspendido o próprio fôlego
Para assistir ao instante
Em que você surgiu.
Teus cabelos dançavam com o vento
Como se conhecessem segredos antigos,
Como se cada fio guardasse uma história
Que eu ainda aprenderia a ouvir.
Teu sorriso...
Ah, teu sorriso não era apenas luz,
Era abrigo.
Iluminava a tarde como quem acende
Uma chama infinita do coração.
E teus olhos,
Profundos, silenciosos, reveladores,
Me disseram sem palavras
Aquilo que o coração demora a admitir:
Que há encontros que não começam no acaso,
Mas continuam de algo que já nos habitava.
Desde então, carrego esse dia
Como quem guarda um relicário invisível,
Onde o tempo não ousa tocar,
E a memória não precisa esforço para florescer.
Porque há lembranças que não se apagam,
Elas apenas aprendem
A viver dentro da gente.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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