sexta-feira, 3 de abril de 2026

Falta de consciência

 Os dias passam como páginas sem leitura, 
Viradas por mãos que não sentem o papel. 
Há uma pressa vestida de falsa urgência pura, 
Como se viver fosse cumprir um papel cruel, 
E não incendiar-se no próprio céu. 
 
Olham o horizonte como quem evita cair, 
Mas esquecem de olhar o chão que pisa o ser. 
E assim, seguem sem nunca verdadeiramente ir, 
Como sombras tentando o próprio amanhecer, 
Sem saber que já deixaram de viver. 
 
Perguntar-se é um abismo necessário, 
Um risco que poucos desejam correr. 
Pois há conforto no caminho ordinário, 
Mesmo que ele seja um lento desaparecer, 
Uma ausência vestida de permanecer. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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