Viradas por mãos que não sentem o papel.
Há uma pressa vestida de falsa urgência pura,
Como se viver fosse cumprir um papel cruel,
E não incendiar-se no próprio céu.
Olham o horizonte como quem evita cair,
Mas esquecem de olhar o chão que pisa o ser.
E assim, seguem sem nunca verdadeiramente ir,
Como sombras tentando o próprio amanhecer,
Sem saber que já deixaram de viver.
Perguntar-se é um abismo necessário,
Um risco que poucos desejam correr.
Pois há conforto no caminho ordinário,
Mesmo que ele seja um lento desaparecer,
Uma ausência vestida de permanecer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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