Deveria se importar com a mácula
De uma geração que não pensa?
Porque ele ainda sente.
Porque apesar de toda a merda,
Ele não conseguiu desligar o cérebro,
Nem congelar o coração.
Ele vê.
Vê a fila de idiotas batendo palma para nada,
Vê os olhos vazios brilhando nas vitrines,
Vê os cães mijando nas mesmas ideias podres de sempre.
E mesmo fodido, cansado, meio morto por dentro,
Ele se importa.
Não por esperança.
Mas por raiva.
Por orgulho.
Por aquele resto de humanidade
Que ainda não foi arrancado com alicate.
Ele sabe que o mundo apodreceu porque ninguém pensa,
Só consome, repete, morde, defeca.
E ele não quer ser só mais um cadáver aceitando o cardápio.
A tristeza dele não é covardia.
É o preço de estar desperto num campo de zumbis sorridentes.
Então ele se importa.
Não para salvar ninguém.
Mas para não ser engolido pela mesma lama.
Às vezes, se importar é tudo o que resta
Antes de virar pedra.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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