Visto meu sorriso como quem acende
O último cigarro de uma madrugada podre.
Ninguém precisa saber do estrago.
Ninguém precisa ouvir
Meu coração tropeçando no teu nome.
Bebo café frio, olho a fumaça subir
E finjo que sobreviver é uma espécie de talento,
Quando na verdade
Só estou cansado demais para cair.
Ando pelas ruas com essa cara de homem duro,
Mas por dentro ainda existe um quarto vazio
Onde tua ausência dorme atravessada na cama.
As pessoas falam de política, futebol, dinheiro,
E eu apenas balanço a cabeça
Como um idiota educado,
Porque se eu disser a verdade
Vou acabar confessando
Que ainda sinto tua falta todos os dias.
Aprendi que o amor não morre bonito.
Ele apodrece devagar dentro da gente
Feito cerveja esquecida
Sobre a mesa de um bar barato.
Então mantenho minhas máscaras limpas,
Meus silêncios afiados,
E sigo por aí fingindo que não te procuro
Em cada rosto perdido na fumaça da cidade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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