domingo, 31 de maio de 2026

Cada verso me recorda que existo

Não peço ao caminho que revele seu destino, 
Nem ao vento que explique sua direção. 
Basta-me seguir com passos firmes, 
Aceitando que o horizonte se afasta 
À medida que avanço. 

Há quem deseje dominar o mundo, 
Mas mal conhece o próprio espírito. 
Aprendo com a pedra e com a árvore: 
Permanecer inteiro sob a chuva 
É uma forma silenciosa de sabedoria. 

O poeta não cria a beleza das coisas; 
Apenas aprende a percebê-la. 
Onde muitos veem apenas rotina, 
Ele encontra sinais discretos 
Da ordem oculta do universo. 

Se a tristeza vier, que venha. 
Se a alegria chegar, que também passe. 
Nenhuma estação permanece para sempre, 
E resistir ao curso do tempo 
É lutar contra a própria maré. 

Encontro refúgio na poesia, 
Não como fuga, mas como compreensão. 
Cada verso me recorda que existo, 
E que há dignidade em contemplar 
O que os outros deixam escapar. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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