terça-feira, 21 de julho de 2026

Vaidade do coração

Que sentido há na estrada 
Quando a bússola é a vaidade? 
Todo passo que busca aplausos 
Perde-se antes da eternidade. 

O coração que a si se exalta 
Ergue castelos sobre o vento; 
Confunde brilho com verdade, 
E orgulho com contentamento. 

A perfeição não foge do homem, 
É o homem quem dela se afasta, 
Quando transforma o próprio ego 
Na única luz que lhe basta. 

É vão o louvor que hoje ressoa, 
Como é vã a cor da flor que cai; 
O tempo recolhe toda glória, 
E o silêncio se refaz quando sai. 

Quem vive apenas para si 
Jamais encontra o infinito; 
Pois toda grandeza aparente 
É pequena diante do espírito. 

A humildade conhece o caminho 
Que a soberba nunca enxergou. 
Enquanto o orgulho busca alturas, 
O sábio busca o que sonhou. 

O sentido corrompido pela vaidade 
É sombra fugindo da luz da razão; 
Tão vão quanto o motivo oculto 
Que nos priva da perfeição. 

E quando o espelho se quebrar, 
Sem aplausos, coroas ou poder, 
Restará somente a consciência 
Do amor que soubemos viver. 

Porque o homem não se engrandece 
Pelo que possui ou aparenta ser; 
Mas pela verdade que cultiva 
E pela coragem de se conhecer. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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