Que sentido há na estrada
Quando a bússola é a vaidade?
Todo passo que busca aplausos
Perde-se antes da eternidade.
O coração que a si se exalta
Ergue castelos sobre o vento;
Confunde brilho com verdade,
E orgulho com contentamento.
A perfeição não foge do homem,
É o homem quem dela se afasta,
Quando transforma o próprio ego
Na única luz que lhe basta.
É vão o louvor que hoje ressoa,
Como é vã a cor da flor que cai;
O tempo recolhe toda glória,
E o silêncio se refaz quando sai.
Quem vive apenas para si
Jamais encontra o infinito;
Pois toda grandeza aparente
É pequena diante do espírito.
A humildade conhece o caminho
Que a soberba nunca enxergou.
Enquanto o orgulho busca alturas,
O sábio busca o que sonhou.
O sentido corrompido pela vaidade
É sombra fugindo da luz da razão;
Tão vão quanto o motivo oculto
Que nos priva da perfeição.
E quando o espelho se quebrar,
Sem aplausos, coroas ou poder,
Restará somente a consciência
Do amor que soubemos viver.
Porque o homem não se engrandece
Pelo que possui ou aparenta ser;
Mas pela verdade que cultiva
E pela coragem de se conhecer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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