Que busco eu no mundo? Um bem esquivo,
Que foge mais quanto mais o persigo;
E, sendo eu de mim próprio inimigo,
Faço do vão desejo o meu cativo.
Corro por montes, vales, campo e rio,
Indagando ao céu qual seja o segredo;
Responde-me o tempo, grave e quedo:
"Homem, conhece-te, e vence o desvario."
Vejo na flor a morte anunciada,
Na pedra firme a lenta corrupção,
Na glória humana a sombra da jornada.
Mas, se em tudo se esconde a mutação,
Talvez Deus deixe a Sua mão velada
Na ordem que governa a criação.
E assim prossigo, entre fé e pensamento,
Pois quanto mais procuro compreender,
Mais descubro que o maior conhecimento
Não está em possuir, mas em saber
Que o mistério sustenta o firmamento.
Quem julga ter achado a derradeira luz
Faz de sua razão um falso altar;
Eu sigo humilde, deixando-me guiar,
Pois talvez o segredo que a vida conduz
Seja apenas aprender a contemplar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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