sexta-feira, 5 de junho de 2026

Enquanto sigo aprendendo

Olho o horizonte sem exigir respostas, 
Pois sei que o mundo não me deve certezas. 
O tempo ergue montanhas e as desfaz em pó, 
Enquanto sigo aprendendo a arte da permanência. 
Há dimensões que meus olhos não alcançam, 
Mas não me inquieta aquilo que desconheço; 
Basta-me caminhar com serenidade diante do mistério. 

Um único olhar pode atravessar distâncias imensas, 
Mas a sabedoria não está em possuir o horizonte. 
Está em reconhecer os próprios limites 
Sem transformar a ignorância em desespero. 
O futuro repousa além das curvas do tempo, 
E minha tarefa não é dominá-lo, 
Mas receber cada dia com espírito firme. 

Se existem mundos além dos que imagino, 
Que permaneçam por ora guardados no silêncio. 
Nada perco por não tocar o inalcançável, 
Nem diminuo por não compreender o infinito. 
Como o rio que segue sem discutir com as margens, 
Aceito o curso das coisas e prossigo adiante, 
Encontrando liberdade naquilo que posso governar: 
A mim mesmo. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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