Pois sei que o mundo não me deve certezas.
O tempo ergue montanhas e as desfaz em pó,
Enquanto sigo aprendendo a arte da permanência.
Há dimensões que meus olhos não alcançam,
Mas não me inquieta aquilo que desconheço;
Basta-me caminhar com serenidade diante do mistério.
Um único olhar pode atravessar distâncias imensas,
Mas a sabedoria não está em possuir o horizonte.
Está em reconhecer os próprios limites
Sem transformar a ignorância em desespero.
O futuro repousa além das curvas do tempo,
E minha tarefa não é dominá-lo,
Mas receber cada dia com espírito firme.
Se existem mundos além dos que imagino,
Que permaneçam por ora guardados no silêncio.
Nada perco por não tocar o inalcançável,
Nem diminuo por não compreender o infinito.
Como o rio que segue sem discutir com as margens,
Aceito o curso das coisas e prossigo adiante,
Encontrando liberdade naquilo que posso governar:
A mim mesmo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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