terça-feira, 9 de junho de 2026

A cor da pele

O racista sempre me pareceu um sujeito estranho. 
Não porque odeie alguém. 
O mundo está cheio de gente odiando gente. 
Mas porque escolhe algo tão ridiculamente superficial 
Para sustentar seu ódio. 
A cor da pele. 
 
Como se a vida não fosse dura o bastante. 
Como se as contas não chegassem para todos, 
Como se o álcool não queimasse igual na garganta, 
Como se a solidão perguntasse a cor de alguém 
Antes de se sentar ao seu lado. 
 
Eu os vi nos bancos escolares, 
Nos escritórios, 
Nas esquinas, 
Falando de superioridade 
Com a mesma boca que mentia para a esposa, 
Enganava os amigos 
E tremia diante do espelho. 
 
A verdade é simples. 
A maioria das pessoas já está perdida demais 
Para se achar melhor do que alguém. 
Nascemos confusos, 
Envelhecemos assustados 
E terminamos debaixo da mesma terra. 
 
Ainda assim há quem passe a vida 
Contando tonalidades de pele 
Enquanto o tempo esvazia seus bolsos. 
 
É um desperdício. 
Um desperdício de dias, 
De cervejas, 
De conversas, 
De possibilidades. 
 
Quando a morte chegar, 
E ela sempre chega, 
Não levará uma tabela de cores. 
Apenas perguntará, 
Em seu silêncio habitual, 
O que você fez 
Com o pouco tempo que teve. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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