O universo leva eras para acender uma estrela
E segundos para vê-la desaparecer no horizonte.
Nós também somos assim: clarões passageiros
Na vastidão silenciosa do tempo.
E ainda assim, meu amor,
Há algo que torna essa existência imensa.
Não é a duração dos dias,
Nem a quantidade de anos acumulados sobre a pele,
Mas aquilo que acontece dentro deles.
Porque entre bilhões de galáxias indiferentes,
Entre séculos que vieram antes de nós
E os que continuarão depois,
Eu tive o improvável privilégio
De encontrar você.
E isso muda tudo.
Transforma a poeira em memória,
O acaso em destino,
O instante em eternidade.
Se a vida dura pouco diante do universo,
Que dure.
Pois houve um momento raro, quase impossível,
Em que meus olhos cruzaram os seus
E o infinito, por um breve segundo,
Teve sentido.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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