terça-feira, 26 de maio de 2026

Entre bilhões de galáxias

Não me assusta a brevidade da vida. 
O universo leva eras para acender uma estrela 
E segundos para vê-la desaparecer no horizonte. 
Nós também somos assim: clarões passageiros 
Na vastidão silenciosa do tempo. 

E ainda assim, meu amor, 
Há algo que torna essa existência imensa. 
Não é a duração dos dias, 
Nem a quantidade de anos acumulados sobre a pele, 
Mas aquilo que acontece dentro deles. 

Porque entre bilhões de galáxias indiferentes, 
Entre séculos que vieram antes de nós 
E os que continuarão depois, 
Eu tive o improvável privilégio 
De encontrar você. 

E isso muda tudo. 
Transforma a poeira em memória, 
O acaso em destino, 
O instante em eternidade. 

Se a vida dura pouco diante do universo, 
Que dure. 
Pois houve um momento raro, quase impossível, 
Em que meus olhos cruzaram os seus 
E o infinito, por um breve segundo, 
Teve sentido. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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