Existe uma delicadeza triste em esperar,
Como quem rega um jardim durante a seca
Sem qualquer promessa de chuva.
Ainda assim, algo dentro do peito insiste
Em acreditar no invisível das sementes.
O tempo ergue oceanos entre duas pessoas,
Silêncios, cidades, noites intermináveis.
Mas o amor conhece caminhos secretos
Que os relógios jamais conseguem medir
Nem a distância consegue interromper.
Confio no que não posso tocar.
Na voz que ainda ecoa depois da despedida,
Na lembrança que aquece corredores vazios,
E nesse fio invisível que permanece
Mesmo quando tudo parece ausente.
Às vezes o mundo exige provas,
Datas, certezas e respostas imediatas.
Mas o coração amadurece devagar,
Como as estrelas que brilham distante
Antes de alcançarem nossos olhos cansados.
Penso que amar seja permanecer aceso,
Mesmo quando a noite demora demais.
Talvez esperar seja uma forma de abraço
Que continua existindo em silêncio
Até que o impossível encontre seu caminho.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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