Elas permanecem diante dos nossos olhos, invisíveis.
O movimento incessante cria a ilusão de progresso.
Mas a alma que corre sem descanso perde o contato com o presente.
Quando desaceleramos, percebemos o peso exato das coisas.
Nem maior, nem menor do que realmente são.
E nisso já existe uma forma de liberdade.
Vejo a folha que cai sem lamentar o galho.
Vejo a água seguir seu curso sem discutir com as pedras.
A natureza não disputa com o tempo.
Aceita as mudanças que lhe são impostas.
O mesmo aprendizado é oferecido aos homens.
Nem tudo está sob nosso comando.
Mas a serenidade diante dos fatos continua sendo uma escolha.
Ao caminhar devagar, descubro que nada me pertence.
Os dias passam, os rostos mudam, as estações retornam.
Ainda assim, há uma ordem que sustenta o movimento do mundo.
Não preciso controlar aquilo que está além de mim.
Basta cuidar dos meus pensamentos e das minhas ações.
As coisas que só vejo quando desacelero não são novidades.
São verdades que sempre estiveram ali, esperando atenção.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário