Teu peso leve repousando em meus braços,
Como se o mundo tivesse parado só para caber ali.
Havia um silêncio quente entre nossos gestos,
Uma verdade sem palavras, inteira, suspensa,
E eu te segurava como quem descobre um sentido,
Mesmo sabendo que o sentido não dura.
Teu rosto era quase, tua pele era promessa,
E ainda assim, tudo parecia mais real que o dia.
Meu peito reconhecia o teu como destino antigo,
Como se já tivéssemos vivido mil encontros
Em outras noites que nunca existiram.
E naquele instante impossível e exato,
Eu era completo no que jamais aconteceu.
Mas o despertar veio como quem desfaz um laço,
E teus contornos se dissolveram na ausência.
Restou o espaço vazio entre meus braços,
Um eco suave daquilo que não foi, mas viveu.
E agora caminho com essa lembrança sem origem,
Carregando teu corpo que só existiu no sonho,
Como uma saudade que nasceu antes de existir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário