terça-feira, 21 de julho de 2026

Manifesto do Leitor Clandestino

Em tempos de rostos iluminados por telas, 
Em que as palavras não são mais ditas, 
Mas injetadas, repetidas, programadas, 
Ler é um crime secreto. 
 
Abrir um livro é acender um fósforo na escuridão: 
Um gesto pequeno, mas capaz de incendiar o silêncio. 
Eles querem que você deslize, 
Mas não que você mergulhe. 
Querem olhos viciados em luz artificial, 
Não em letras que respiram na penumbra. 
 
Cada leitura é um ato de conspiração. 
Cada página, um esconderijo. 
Cada livro, uma bomba que explode em silêncio 
Dentro da mente que ousa pensar. 
 
Eles temem o leitor. 
Porque o leitor não é massa, 
Não é número, 
Não é público-alvo. 
O leitor é resistência. 
É desvio. 
É sombra que não se deixa domesticar. 
 
E quando todos se ajoelham diante da tela, 
O leitor, em seu exílio íntimo, 
Ergue-se invisível, 
Ergue-se armado de perguntas, 
Ergue-se contra o império da distração. 
 
Ler, agora, é revolta. 
Ler, agora, é subversão. 
Ler, agora, é permanecer humano 
Quando querem nos transformar em espectros obedientes. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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