Humanidade, escuta o ruído estranho nas próprias palavras:
Há um veneno crescendo dentro daquilo que repetimos.
Cada frase sem reflexão abre mais uma ferida no mundo,
Cada mentira aceita alimenta máquinas de destruição.
Estamos adoecendo devagar, sorrindo diante do abismo,
Como passageiros distraídos em um navio incendiado
Que confundem fumaça com o último pôr do sol.
Os atalhos da linguagem nos tornaram superficiais,
Incapazes de suportar a profundidade da verdade.
Preferimos respostas rápidas ao peso do pensamento,
E entregamos nossas consciências aos mercadores do medo.
As telas nos educam para esquecer uns dos outros,
Enquanto a solidão cresce no centro das cidades
Como ferrugem corroendo silenciosamente o ferro da alma.
Ainda há tempo de romper essa contaminação coletiva.
Precisamos reaprender o valor das palavras honestas,
Do silêncio que escuta e da dúvida que desperta.
Não deixem que transformem a linguagem em corrente,
Nem a humanidade em rebanho guiado pela febre.
Se continuarmos dormindo dentro desse vírus invisível,
O futuro falará apenas o idioma frio das ruínas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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