E tudo parece seguir o curso esperado.
Mas, sem aviso, o pensamento muda de direção,
E encontro você caminhando pela memória,
Como quem nunca aprendeu a partir.
Não é um convite do coração,
Nem um desejo escondido de recomeçar.
É apenas o silêncio abrindo antigas gavetas,
Onde o tempo guardou retratos invisíveis
Que ainda sabem pronunciar o seu nome.
Quis ensinar minha razão a esquecer,
Como quem fecha um livro depois da última página.
Contudo, algumas histórias permanecem abertas,
Escritas não no papel,
Mas nas delicadas margens da alma.
Se penso em você, não é por escolha.
É porque certas lembranças sobrevivem ao adeus,
Feito estrelas que continuam brilhando
Mesmo quando a noite anuncia
Que o amanhecer já está próximo.
Quem sabe um dia esse pensamento se torne brisa,
Leve o bastante para não pesar no peito.
Até lá, aceitarei sua breve passagem,
Como quem observa uma nuvem distante,
Sem desejar que ela volte a chover.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário