Se o amor lê a estrela mais distante,
E decifra o silêncio do infinito,
Como não ver em mim, tão explícito,
O coração que pulsa vacilante?
Se alcança o que é vasto e delirante,
E entende o que ao tempo é interdito,
Por que meu íntimo, tão aflito,
Seria ao seu olhar tão ofuscante?
Talvez o amor não seja revelação,
Mas chama que ilumina o escondido,
Um sopro que atravessa a solidão.
E antes mesmo do verbo ser sentido,
Já tenha lido, em secreta inscrição,
Meu ser em outro peito refletido.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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