sexta-feira, 24 de julho de 2026

Se o amor lê a estrela mais distante

Se o amor lê a estrela mais distante, 
E decifra o silêncio do infinito, 
Como não ver em mim, tão explícito, 
O coração que pulsa vacilante? 

Se alcança o que é vasto e delirante, 
E entende o que ao tempo é interdito, 
Por que meu íntimo, tão aflito, 
Seria ao seu olhar tão ofuscante? 

Talvez o amor não seja revelação, 
Mas chama que ilumina o escondido, 
Um sopro que atravessa a solidão. 

E antes mesmo do verbo ser sentido, 
Já tenha lido, em secreta inscrição, 
Meu ser em outro peito refletido. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário