Nos ponteiros apressados da rotina,
Esquecemos de ouvir o silêncio da manhã.
Chamamos de falta o que ainda possuímos,
Enquanto as horas, pacientes, nos esperam
Para serem simplesmente vividas.
O tempo não pede licença para passar,
Mas oferece, a cada instante, um recomeço.
Há um universo escondido em um minuto,
Quando o coração repousa no presente
E os olhos aprendem a enxergar.
Corremos atrás de dias que ainda não nasceram,
Carregando saudades de dias que já morreram.
No entanto, a vida floresce apenas agora,
Na conversa sincera, no abraço demorado,
Na paz que habita o instante.
Não é o relógio que nos empobrece,
Mas a distração que nos rouba a existência.
Cada segundo guarda uma semente,
Esperando apenas a atenção de quem passa
Para transformar-se em eternidade.
Que eu não peça mais horas ao destino,
Mas um coração desperto para cada amanhecer.
Que eu saiba valorizar o simples,
Pois a verdadeira riqueza da vida
É perceber o tempo enquanto ele acontece.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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