quarta-feira, 22 de julho de 2026

Que eu saiba valorizar o simples

Nos ponteiros apressados da rotina, 
Esquecemos de ouvir o silêncio da manhã. 
Chamamos de falta o que ainda possuímos, 
Enquanto as horas, pacientes, nos esperam 
Para serem simplesmente vividas. 
 
O tempo não pede licença para passar, 
Mas oferece, a cada instante, um recomeço. 
Há um universo escondido em um minuto, 
Quando o coração repousa no presente 
E os olhos aprendem a enxergar. 
 
Corremos atrás de dias que ainda não nasceram, 
Carregando saudades de dias que já morreram. 
No entanto, a vida floresce apenas agora, 
Na conversa sincera, no abraço demorado, 
Na paz que habita o instante. 
 
Não é o relógio que nos empobrece, 
Mas a distração que nos rouba a existência. 
Cada segundo guarda uma semente, 
Esperando apenas a atenção de quem passa 
Para transformar-se em eternidade. 
 
Que eu não peça mais horas ao destino, 
Mas um coração desperto para cada amanhecer. 
Que eu saiba valorizar o simples, 
Pois a verdadeira riqueza da vida 
É perceber o tempo enquanto ele acontece. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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