Quando o cansaço visita os meus dias
E o silêncio pesa mais que as palavras,
Abro um poema como quem abre uma janela.
O vento leva embora parte da tristeza,
E a alma aprende novamente a respirar.
A poesia não pergunta por minhas feridas;
Ela apenas as envolve com delicadeza.
Transforma lágrimas em rios serenos,
Faz da saudade uma estrela distante
E da esperança uma flor que insiste em nascer.
Há versos que chegam como um abraço,
Sem pressa, sem ruído, sem exigências.
Sentam-se ao meu lado nas noites difíceis
E permanecem até que o medo adormeça
Nos braços tranquilos da madrugada.
Cada palavra acende uma pequena chama
No escuro das inquietações humanas.
Onde havia apenas desânimo e vazio,
Surge um caminho tecido de sonhos,
Iluminado pela beleza do que ainda pode ser.
Por isso volto sempre à poesia.
Ela é abrigo quando o mundo se torna tempestade,
É voz quando o coração já não consegue falar,
É consolo para a alma fatigada pelo tempo,
E esperança que nunca aprende a desistir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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