sábado, 25 de julho de 2026

Por isso escrevo

Estou diante do branco absoluto da folha, 
Como quem encara a própria solidão em silêncio. 
Minhas mãos tremem desejando escrever teu nome, 
Enquanto a noite escorre lenta pela janela. 
Minha mente percorre caminhos da lembrança, 
Procurando teus olhos entre sombras e estrelas, 
Como um náufrago procurando terra no infinito. 

Há em ti alguma coisa que vence o tempo, 
Uma chama escondida dentro da minha alma cansada. 
Quando penso em teu olhar, os versos despertam, 
E cada palavra ganha pulsação e destino. 
Tu és a voz que interrompe meu deserto, 
O sopro que devolve sentido aos dias vazios, 
A presença invisível que me impede de cair. 

Por isso escrevo, mesmo sem saber o fim, 
Mesmo quando o mundo parece frio demais. 
Porque amar também é insistir na esperança, 
É acender pequenas luzes contra a escuridão. 
E enquanto houver papel, silêncio e memória, 
Meu coração continuará buscando teus olhos 
Na eternidade secreta de cada poema. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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