domingo, 26 de julho de 2026

Algoritmos e silêncios

No brilho incessante das telas perdemos o horizonte, 
O pensamento se fragmenta em notificações, 
Cada gesto parece previsto, 
Cada desejo encontra um caminho traçado, 
E a dúvida, que sempre alimentou a sabedoria, 
Vai sendo empurrada para o canto do esquecimento, 
Como uma vela apagada antes do amanhecer. 

O algoritmo conhece nossos hábitos, 
Mas desconhece nossos sonhos mais profundos. 
Ele oferece respostas antes das perguntas, 
Confunde velocidade com conhecimento, 
Transforma ecos em verdades, 
E faz da repetição uma confortável prisão 
Para quem já não cultiva o silêncio de refletir. 

Ainda resta uma esperança: 
Desligar o ruído por alguns instantes, 
Reencontrar o diálogo com a própria consciência, 
Abrir um livro sem pressa, 
Olhar o mundo sem filtros, 
E lembrar que a liberdade nasce 
Quando o pensamento volta a caminhar com as próprias pernas. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário