Não há nada em você que possa dizer algo sobre mim.
Minha história não cabe nas margens do teu olhar.
O que sou nasceu de caminhos que desconheces.
Carrego silêncios que nunca ouviste.
Atravessei tempestades sem pedir testemunhas.
Minha identidade não depende da tua leitura.
Ela permanece inteira, mesmo quando não a compreendes.
Cada palavra lançada contra mim encontra primeiro o teu coração.
Toda interpretação revela a paisagem de quem observa.
O julgamento veste as roupas de quem o pronuncia.
Meu valor não se altera diante das tuas certezas.
Há uma distância entre a aparência e a essência.
É nessa distância que a verdade respira.
E nela continuo sendo quem sempre fui.
Por isso caminho sem carregar o peso das tuas definições.
Escolho a serenidade em vez da aprovação.
Não preciso convencer ninguém daquilo que a vida já confirmou.
Aprendi que a consciência é um lugar suficiente para morar.
Quem conhece a si mesmo não teme os espelhos alheios.
A liberdade começa quando a voz do outro deixa de governar a alma.
E a paz permanece onde a autenticidade encontra abrigo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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