quinta-feira, 23 de julho de 2026

Não há nada em você

Não há nada em você que possa dizer algo sobre mim. 
Minha história não cabe nas margens do teu olhar. 
O que sou nasceu de caminhos que desconheces. 
Carrego silêncios que nunca ouviste. 
Atravessei tempestades sem pedir testemunhas. 
Minha identidade não depende da tua leitura. 
Ela permanece inteira, mesmo quando não a compreendes. 

Cada palavra lançada contra mim encontra primeiro o teu coração. 
Toda interpretação revela a paisagem de quem observa. 
O julgamento veste as roupas de quem o pronuncia. 
Meu valor não se altera diante das tuas certezas. 
Há uma distância entre a aparência e a essência. 
É nessa distância que a verdade respira. 
E nela continuo sendo quem sempre fui. 

Por isso caminho sem carregar o peso das tuas definições. 
Escolho a serenidade em vez da aprovação. 
Não preciso convencer ninguém daquilo que a vida já confirmou. 
Aprendi que a consciência é um lugar suficiente para morar. 
Quem conhece a si mesmo não teme os espelhos alheios. 
A liberdade começa quando a voz do outro deixa de governar a alma. 
E a paz permanece onde a autenticidade encontra abrigo. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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