Carregando lanternas feitas de palavras.
Às vezes encontro rostos atrás dos espelhos,
E não sei se os inventei ou se me esperavam.
O horror nasce em minha mente como névoa,
Mas não sei se sou seu criador ou sua presa.
Escrevo para descobrir quem observa quem.
Há noites em que meus sonhos deixam marcas,
Como pegadas úmidas no chão da consciência.
Escuto vozes surgirem entre linhas inacabadas,
Sussurrando verdades que nunca aprendi.
Então me pergunto se a imaginação cria abismos
Ou apenas revela aqueles que já existiam.
E permaneço à beira deles, sem resposta.
Talvez eu seja apenas um viajante perdido,
Tentando nomear as sombras que encontro.
Talvez toda arte seja uma forma de cegueira,
Ou uma tentativa de enxergar além do véu.
Entre a criação e a paranoia sigo existindo,
Incerto sobre o que é real dentro de mim.
Mas continuo escrevendo, apesar do escuro.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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