Ela apenas ocupa a cadeira vazia da alma.
Meu suspiro é um diálogo com o invisível,
Como quem procura sentido no eco
De um nome que o tempo não responde.
A ausência tem o estranho hábito de permanecer.
Não possui rosto, mas molda meus dias.
Descubro que amar também é perder,
E perder é reconhecer
O quanto fomos verdadeiros.
Caminho entre memórias como quem atravessa neblina.
Cada passo desfaz uma certeza antiga.
Talvez o amor nunca tenha sido posse,
Mas a coragem de continuar existindo
Mesmo quando tudo se torna distância.
Pergunto ao silêncio por que ainda espero.
Ele não oferece respostas, apenas espaço.
Então compreendo que a vida
É feita mais de perguntas persistentes
Do que de respostas definitivas.
Se um dia meus suspiros cessarem,
Não será porque a saudade morreu.
Será porque aprendi que o amor, quando autêntico,
Não exige retorno para justificar sua existência;
Basta permanecer como verdade no coração.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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