domingo, 21 de junho de 2026

Entre a saudade e o silêncio

A saudade não pergunta se desejo sua companhia. 
Ela apenas ocupa a cadeira vazia da alma. 
Meu suspiro é um diálogo com o invisível, 
Como quem procura sentido no eco 
De um nome que o tempo não responde. 

A ausência tem o estranho hábito de permanecer. 
Não possui rosto, mas molda meus dias. 
Descubro que amar também é perder, 
E perder é reconhecer 
O quanto fomos verdadeiros. 

Caminho entre memórias como quem atravessa neblina. 
Cada passo desfaz uma certeza antiga. 
Talvez o amor nunca tenha sido posse, 
Mas a coragem de continuar existindo 
Mesmo quando tudo se torna distância. 

Pergunto ao silêncio por que ainda espero. 
Ele não oferece respostas, apenas espaço. 
Então compreendo que a vida 
É feita mais de perguntas persistentes 
Do que de respostas definitivas. 

Se um dia meus suspiros cessarem, 
Não será porque a saudade morreu. 
Será porque aprendi que o amor, quando autêntico, 
Não exige retorno para justificar sua existência; 
Basta permanecer como verdade no coração. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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