Atrás das mesas largas
Dos discursos ensaiados
Das bandeiras muito bem passadas
E das botas brilhando.
Mas eu nunca confiei em pessoas
Que têm medo de uma biblioteca.
Isso sempre me pareceu estranho.
Você pode prender um corpo,
Mas como prende uma ideia?
Há quem troque um livro
Por uma promessa fácil.
É um mau negócio.
Promessas envelhecem depressa.
Palavras boas demoram mais.
Já vi gente pobre
Carregando um romance debaixo do braço
Como quem levava um pedaço de pão.
E talvez fosse isso mesmo.
Há fomes que não aparecem nas fotografias.
No fim das contas,
Os livros continuam ali.
Esperando outro par de olhos,
Enquanto os retratos dos tiranos
Apodrecem na parede da história.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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