terça-feira, 16 de junho de 2026

A serenidade do pensamento

Não temo os ventos que mudam o destino, 
Nem as pedras espalhadas pelo chão, 
Temo mais o abandono do raciocínio, 
Quando a alma entrega sua direção 
À corrente cega da multidão. 
 
O mal comum não veste armadura, 
Nem sempre empunha espada ou poder; 
Nasce da mente que perde a postura 
De examinar, compreender e ver 
As consequências do próprio fazer. 
 
O sábio observa antes de agir, 
Escuta a razão em seu tribunal, 
Pois sabe que deixar de refletir 
É abrir as portas, de modo natural, 
À chegada silenciosa do mal. 
 
Não controlo o mundo nem sua agitação, 
Mas governo os pensamentos que cultivo; 
Na disciplina encontro a libertação, 
E na virtude descubro o motivo 
Para tornar cada ato construtivo. 
 
Assim caminho, sereno e desperto, 
Sem me curvar ao erro habitual; 
Faço da consciência um porto certo, 
Pois o pensamento é o bem essencial 
Contra a sombra discreta do mal banal. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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