Não temo os ventos que mudam o destino,
Nem as pedras espalhadas pelo chão,
Temo mais o abandono do raciocínio,
Quando a alma entrega sua direção
À corrente cega da multidão.
O mal comum não veste armadura,
Nem sempre empunha espada ou poder;
Nasce da mente que perde a postura
De examinar, compreender e ver
As consequências do próprio fazer.
O sábio observa antes de agir,
Escuta a razão em seu tribunal,
Pois sabe que deixar de refletir
É abrir as portas, de modo natural,
À chegada silenciosa do mal.
Não controlo o mundo nem sua agitação,
Mas governo os pensamentos que cultivo;
Na disciplina encontro a libertação,
E na virtude descubro o motivo
Para tornar cada ato construtivo.
Assim caminho, sereno e desperto,
Sem me curvar ao erro habitual;
Faço da consciência um porto certo,
Pois o pensamento é o bem essencial
Contra a sombra discreta do mal banal.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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