Como quem abandona o vento cansado,
E encontra no teu colo um porto antigo,
Onde o tempo se dobra em silêncio,
E o mundo esquece de chamar meu nome.
Teus cabelos perfumados me envolvem,
Como noites que nunca terminam,
Sedosos, guardam segredos do toque,
E em cada fio encontro abrigo,
Como se ali morasse a eternidade.
Aliso devagar essa calma viva,
Com mãos que desaprenderam a pressa,
E cada gesto se torna um verso,
Dito sem voz, mas pleno de sentido,
Como um sussurro que não se perde.
Adormecido em teus carinhos, fico,
Agarrado ao instante que nos pertence,
Sem medo do amanhã ou da ausência,
Pois no calor do teu abraço, descubro
Que o infinito cabe em um segundo.
E sonho, sim, lindos sonhos contigo,
Onde não há partidas nem despedidas,
Apenas caminhos que se entrelaçam,
Como nossos corpos em quieta promessa,
De nunca mais precisar ir embora.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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