Como quem acende um fósforo
Sem pensar no incêndio.
Seus lábios têm o defeito
De fazer o mundo parecer menos ridículo,
E isso é perigoso.
Porque a esperança sempre cobra caro.
Passei a vida dizendo
Que ninguém salva ninguém.
Ainda acredito nisso.
Mas há noites em que uma boca
Convence até o cínico mais antigo.
O desejo chega sem pedir licença,
Derruba a filosofia da estante,
Esvazia o copo
E ri da disciplina
Que passei anos tentando construir.
No fim, cada um volta para o próprio quarto,
Para o espelho,
Para as contas,
Para o silêncio.
Mas alguns sorrisos continuam morando na memória
Como se nunca tivessem ido embora.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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