Entra pela janela
Derruba a cadeira
Bebe o resto do café frio
E vai embora
Como se a casa nunca tivesse sido minha.
Já tentei expulsá-lo.
Com trabalho.
Com livros.
Com promessas feitas diante do espelho.
Ele sempre encontra uma fresta
E ri da minha disciplina.
Há dias em que ele pousa no ombro
E me convence de que tudo acabou.
No dia seguinte
Olha para a mesma rua
E encontra uma criança correndo atrás de uma bola.
Não explica a mudança.
Acho que a liberdade tem esse defeito
Não pede licença
Nem oferece garantias.
Apenas continua voando
Enquanto a gente insiste em chamar isso de vida.
Então deixo a janela aberta.
Não por esperança.
Nem por coragem.
Apenas porque descobri,
Depois de tantos anos,
Que alguns pássaros não nasceram para ser presos,
E alguns pensamentos também não.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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