Não diria que já te esqueci.
Seria profanar o túmulo onde repousa teu nome,
Ainda quente na terra da minha lembrança.
Há fantasmas que não se exorcizam,
Apenas se calam por um tempo,
E à noite voltam,
Com o perfume daquilo que nunca terminou.
Tentei enterrar-te em cada amanhecer,
Mas o sol, cruel,
Te devolve à minha sombra.
E eu, condenado,
Revivo o crime de te amar
Em cada respiração.
Mesmo assim, não direi.
Pois dizer seria trair o luto que ainda me veste,
Seria negar o sangue que tua ausência fez correr.
Há silêncios que gritam mais alto que qualquer adeus.
E o meu,
O meu é um relicário aberto,
Onde tua lembrança apodrece devagar,
Mas nunca morre.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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