segunda-feira, 15 de junho de 2026

Tua lembrança nunca morre

Mesmo que quisesse 
Não diria que já te esqueci. 
Seria profanar o túmulo onde repousa teu nome, 
Ainda quente na terra da minha lembrança. 

Há fantasmas que não se exorcizam, 
Apenas se calam por um tempo, 
E à noite voltam, 
Com o perfume daquilo que nunca terminou. 

Tentei enterrar-te em cada amanhecer, 
Mas o sol, cruel, 
Te devolve à minha sombra. 
E eu, condenado, 
Revivo o crime de te amar 
Em cada respiração. 

Mesmo assim, não direi. 
Pois dizer seria trair o luto que ainda me veste, 
Seria negar o sangue que tua ausência fez correr. 

Há silêncios que gritam mais alto que qualquer adeus. 
E o meu, 
O meu é um relicário aberto, 
Onde tua lembrança apodrece devagar, 
Mas nunca morre. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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