Suas línguas prometiam calor,
Mas eu sangrava frio.
Nada nelas me bastava,
Porque o que me falta não vive no mundo dos vivos.
Elas vinham com lábios febris,
Mas eu era o inverno.
Beijavam-me como quem ressuscita,
E eu apenas morria mais um pouco.
Não era amor o que eu buscava,
Era uma ausência antiga,
Um eco que nenhuma boca preenchia.
E por mais que me beijassem,
Eu continuava faminto,
Como um poço que devora a própria água.
Cada beijo que recebi
Foi um prego a mais no meu esquecimento.
Elas pensavam me saciar,
Mas só alimentavam
A fera que vive onde meu coração deveria estar.
Beijar era como encostar os lábios no espelho.
Uma ilusão que me olhava de volta,
Bela, mas sem alma.
Não eram as mulheres que me faltavam,
Era o impossível.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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