Antes que a última pergunta desapareça das ruas.
O mundo anda rápido demais para refletir,
E os homens já confundem repetição com verdade
Como pássaros cegos seguindo luzes artificiais.
As palavras foram sequestradas pelo ruído,
Trituradas por máquinas de pressa e espetáculo.
Já não escutamos o peso do silêncio,
Nem o lento trabalho da consciência
Crescendo como árvore em terra esquecida.
Eu peço um retorno ao espanto das ideias,
Ao instante raro em que a alma hesita e procura.
Pensar exige coragem em tempos anestesiados,
Porque toda reflexão rompe grades invisíveis
Erguidas dentro da mente coletiva.
Resgatem os livros abandonados nas estantes,
As conversas profundas sufocadas pelas telas,
O direito de discordar sem se tornar inimigo.
Há humanidade demais morrendo por dentro
Sob a ditadura dos pensamentos prontos.
Talvez ainda possamos salvar alguma centelha.
Talvez a lucidez sobreviva entre poucos resistentes.
Mas é preciso parar diante do abismo agora
E reaprender a olhar o mundo sem filtros,
Como quem descobre novamente o significado da existência.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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