quarta-feira, 10 de junho de 2026

Em alguma estante esquecida

As livrarias ainda acendem suas luzes, 
Mas poucos entram para procurar respostas. 
Corremos entre telas, ruídos e urgências, 
Como se a velocidade pudesse preencher 
O vazio que carregamos em silêncio. 
 
Quando ninguém mais quer o que os livros oferecem, 
Não desaparecem apenas histórias e ideias. 
Perde-se também a arte de permanecer 
Diante de uma pergunta sem resposta, 
Diante do espelho inquietante da existência. 
 
Os livros falam de homens que amaram, sofreram, 
Fracassaram diante do tempo e da morte. 
Mas talvez seja justamente isso que evitamos. 
Reconhecer que nossas angústias não são novas 
E que somos passageiros na mesma travessia. 
 
Então a vida torna-se uma sucessão de instantes, 
Fragmentos dispersos sem um fio que os una. 
Conhecemos milhares de fatos e notícias, 
Mas esquecemos de perguntar quem somos 
E por que seguimos caminhando. 
 
Ainda assim, em alguma estante esquecida, 
Um livro permanece aberto para ninguém. 
Suas páginas aguardam como um velho amigo, 
Sabendo que toda alma perdida acaba, cedo ou tarde, 
Procurando palavras para enfrentar o absurdo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário