O sol dissolve seus últimos argumentos,
E a sombra recolhe os restos do meu nome.
Pergunto ao horizonte quem eu fui,
Mas o vento apenas transporta o silêncio;
Existir é ouvir perguntas sem voz.
As árvores permanecem imóveis, indiferentes,
Como testemunhas de um julgamento sem sentença.
Cada folha caída parece uma escolha,
Cada passo, um caminho que se desfaz,
E o destino sorri sem revelar o motivo.
A tarde morre sem saber que morre,
Assim como os sonhos esquecem seus sonhadores.
Carrego no peito um universo incompleto,
Onde nenhuma certeza encontra morada
E toda esperança aprende a caminhar sozinha.
Se Deus responde, talvez fale em silêncio;
Se o acaso governa, nunca pede licença.
Entre um extremo e outro, sigo vivendo,
Inventando sentidos para o que escapa,
Como quem acende uma vela contra o infinito.
Quando a noite enfim abraça o horizonte,
Não encontro respostas, apenas presença.
Talvez o sentido nunca tenha existido,
Ou talvez nasça justamente da procura;
E eu continuo, porque parar também seria uma pergunta.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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