sexta-feira, 19 de junho de 2026

Carrego no peito

O sol dissolve seus últimos argumentos, 
E a sombra recolhe os restos do meu nome. 
Pergunto ao horizonte quem eu fui, 
Mas o vento apenas transporta o silêncio; 
Existir é ouvir perguntas sem voz. 
 
As árvores permanecem imóveis, indiferentes, 
Como testemunhas de um julgamento sem sentença. 
Cada folha caída parece uma escolha, 
Cada passo, um caminho que se desfaz, 
E o destino sorri sem revelar o motivo. 
 
A tarde morre sem saber que morre, 
Assim como os sonhos esquecem seus sonhadores. 
Carrego no peito um universo incompleto, 
Onde nenhuma certeza encontra morada 
E toda esperança aprende a caminhar sozinha. 
 
Se Deus responde, talvez fale em silêncio; 
Se o acaso governa, nunca pede licença. 
Entre um extremo e outro, sigo vivendo, 
Inventando sentidos para o que escapa, 
Como quem acende uma vela contra o infinito. 
 
Quando a noite enfim abraça o horizonte, 
Não encontro respostas, apenas presença. 
Talvez o sentido nunca tenha existido, 
Ou talvez nasça justamente da procura; 
E eu continuo, porque parar também seria uma pergunta. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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