Entre a cerca erguida pelo medo e o campo aberto do possível.
Nenhum dos dois elimina a incerteza.
Mas apenas um permite que a alma cresça.
Não é o mundo que reduz nossos passos.
São as fronteiras que aceitamos sem exame.
E aquilo que deixamos de enfrentar também nos transforma.
Quem espera garantias torna-se prisioneiro das circunstâncias.
Quem cultiva a serenidade aprende a caminhar sem promessas.
A grandeza não depende da distância percorrida.
Nasce da firmeza com que se suporta o inevitável.
Cada perda ensina uma medida.
Cada desafio revela um recurso desconhecido.
Assim o espírito encontra liberdade dentro de si.
O horizonte não pertence aos olhos, mas à disposição interior.
A vida concede apenas o instante presente.
Nele repousam todas as decisões possíveis.
Escolhe o que amplia o caráter e não apenas o conforto.
Aceita o limite daquilo que não controlas.
Dedica tua força ao que depende de tua vontade.
E segue adiante com a tranquilidade de quem não desperdiçou a própria existência.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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