sábado, 20 de junho de 2026

Horizontes

Chega um tempo em que o caminho exige uma escolha. 
Entre a cerca erguida pelo medo e o campo aberto do possível. 
Nenhum dos dois elimina a incerteza. 
Mas apenas um permite que a alma cresça. 
Não é o mundo que reduz nossos passos. 
São as fronteiras que aceitamos sem exame. 
E aquilo que deixamos de enfrentar também nos transforma. 

Quem espera garantias torna-se prisioneiro das circunstâncias. 
Quem cultiva a serenidade aprende a caminhar sem promessas. 
A grandeza não depende da distância percorrida. 
Nasce da firmeza com que se suporta o inevitável. 
Cada perda ensina uma medida. 
Cada desafio revela um recurso desconhecido. 
Assim o espírito encontra liberdade dentro de si. 

O horizonte não pertence aos olhos, mas à disposição interior. 
A vida concede apenas o instante presente. 
Nele repousam todas as decisões possíveis. 
Escolhe o que amplia o caráter e não apenas o conforto. 
Aceita o limite daquilo que não controlas. 
Dedica tua força ao que depende de tua vontade. 
E segue adiante com a tranquilidade de quem não desperdiçou a própria existência. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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