Como um pássaro tardio pousando no silêncio.
Traz nos olhos a poeira das horas vividas,
E nas mãos, perguntas que o dia esqueceu.
Paira entre a sombra do quarto e a luz da memória,
Escutando o coração falar em voz baixa,
Antes que o sono feche as portas do mundo.
Então a escuridão o acolhe como um rio profundo,
E ele navega por águas que não têm nome.
Leva consigo fragmentos de saudade e desejo,
Constelações íntimas que ninguém vê.
Cada lembrança se torna uma estrela distante,
Cada esperança, uma chama escondida,
Ardendo sob o véu tranquilo da madrugada.
Quando a manhã enfim desperta as janelas,
Algo daquele pensamento permanece aceso.
Não como resposta, mas como semente,
Guardada no campo secreto dos sonhos.
E o dia, sem perceber sua origem, floresce,
Colorido por aquilo que a noite protegeu,
No breve milagre entre o adeus e o recomeço.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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