terça-feira, 16 de junho de 2026

A mansidão da aurora

Teu olhar tem a mansidão da aurora, 
Que chega ao mundo sem alarde algum; 
E eu, que julgava meu caminho comum, 
Perco-me nele a cada nova hora. 
 
Tento fugir, mas a razão demora, 
Pois teu encanto um por um vence 
Os frágeis muros que levantei, e convence 
Dos teus olhos que em meu peito mora. 
 
Não há correntes, grades ou prisão, 
Somente a singeleza do teu gesto 
Desarmando as defesas do meu ser. 
 
E assim me rendo à doce condição 
De carregar comigo esse manifesto: 
Que há olhares dos quais não se quer correr. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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