Teu olhar tem a mansidão da aurora,
Que chega ao mundo sem alarde algum;
E eu, que julgava meu caminho comum,
Perco-me nele a cada nova hora.
Tento fugir, mas a razão demora,
Pois teu encanto um por um vence
Os frágeis muros que levantei, e convence
Dos teus olhos que em meu peito mora.
Não há correntes, grades ou prisão,
Somente a singeleza do teu gesto
Desarmando as defesas do meu ser.
E assim me rendo à doce condição
De carregar comigo esse manifesto:
Que há olhares dos quais não se quer correr.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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