segunda-feira, 22 de junho de 2026

Sozinho?

Às vezes me recolho, 
Não por desprezo, nem por ausência de afeto, 
Mas porque há um lugar em mim que só eu entendo, 
Uma sala sem porta, onde a alma senta no chão 
E conversa com o silêncio. 

Me deixe viver… 
Ou então, se quiser, 
Viva comigo nesse espaço sem nome, 
Onde o mundo lá fora faz barulho demais 
E tudo o que eu preciso é me ouvir. 

Tem dias que sou abrigo, 
Tem dias que sou abismo. 
Não é fuga, é cuidado. 
Me recolho para me encontrar inteiro. 
Quem quiser me amar, que aprenda: 
O meu silêncio também é casa. 

Quando me isolo, 
Não é solidão, 
É um reencontro. 
Há um idioma que só eu falo 
E é nele que me reconstruo. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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