Não por desprezo, nem por ausência de afeto,
Mas porque há um lugar em mim que só eu entendo,
Uma sala sem porta, onde a alma senta no chão
E conversa com o silêncio.
Me deixe viver…
Ou então, se quiser,
Viva comigo nesse espaço sem nome,
Onde o mundo lá fora faz barulho demais
E tudo o que eu preciso é me ouvir.
Tem dias que sou abrigo,
Tem dias que sou abismo.
Não é fuga, é cuidado.
Me recolho para me encontrar inteiro.
Quem quiser me amar, que aprenda:
O meu silêncio também é casa.
Quando me isolo,
Não é solidão,
É um reencontro.
Há um idioma que só eu falo
E é nele que me reconstruo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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