Um fio de silêncio que ameaça romper.
E enquanto o mundo se retarda,
A imaginação grita pelos olhos,
Como se o olhar fosse um cárcere por dentro.
O poeta não escreve: ele escuta.
Escuta o rumor de criaturas
Que nascem do medo e da demora,
E que se alimentam do que poderia ter sido.
Há um limite, dizem.
Mas o limite só existe até o instante em que é tocado.
Depois disso, não há retorno,
Apenas a vertigem de criar o abismo
E de cair nele com os próprios nomes.
Esperar é uma forma de necromancia:
O tempo morto ressuscita ideias,
E elas voltam deformadas,
Mais vivas do que deveriam.
E se há alguma fronteira,
Ela não está no mundo,
Mas no corpo que arde para ultrapassá-lo.
O resto é apenas o escuro aprendendo a ver.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário