quarta-feira, 17 de junho de 2026

Cada adeus é uma lição

Celebro o caminho que percorri, e também as suas perdas, 
Celebro as estradas abertas sob o céu imenso, 
Os rios que seguem para o mar sem jamais perguntar por quê, 
E celebro esta verdade que chegou tarde ao meu coração: 
Não havia nada em mim que pudesse dizer sim ao que já estava morto. 

Ó companheira de jornadas e de silêncios! 
Caminhamos sob as mesmas luas, sob os mesmos ventos, 
Compartilhamos o pão dos dias e a sombra das tardes, 
Mas os nossos espíritos viajavam por continentes diferentes, 
Como aves migratórias que jamais encontram o mesmo horizonte. 

Eu vi as multidões passando pelas avenidas do tempo, 
Os trabalhadores, os amantes, os sonhadores, os velhos, 
Todos carregando suas alegrias e suas secretas ausências; 
E percebi que a solidão não pertence apenas aos desertos, 
Mas também às casas onde duas pessoas deixam de se encontrar. 

Ainda assim, não amaldiçoo a memória nem a despedida, 
Pois cada amor, mesmo incompleto, deixa sua marca na alma; 
Cada encontro é uma estrela acrescentada à noite humana, 
Cada adeus é uma lição escrita pelo vento sobre a areia, 
Antes que a maré venha recolher as palavras. 

E agora sigo adiante, de peito aberto para os caminhos, 
Irmão das árvores, dos rios, das nuvens errantes, 
Aceitando a vastidão do mundo e os seus mistérios; 
Pois aprendi que estar contigo era viver só até o fim, 
E aprendi também que partir é, às vezes, voltar para si mesmo. 

Eu caminho, e o universo caminha comigo. 
As manhãs continuam nascendo sobre os campos, 
Os pássaros continuam escrevendo poemas no céu, 
E meu coração, enfim reconciliado com sua própria voz, 
Saúda a vida outra vez, livre sob o infinito. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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