domingo, 21 de junho de 2026

O menino e o tempo

Quando eu era pequeno, sonhava com o amanhã, 
Como quem contempla um rio antes da travessia. 
Não conhecia o peso das tempestades, 
Mas o sol já me ensinava, em silêncio, 
Que cada dia basta a si mesmo. 

Eu queria alcançar o mundo inteiro, 
Sem perceber que o maior reino é o domínio de si. 
O destino não pergunta pelos nossos desejos; 
Apenas oferece o caminho, 
E espera que caminhemos com firmeza. 

Vieram perdas, dúvidas e despedidas. 
O tempo levou o que não podia permanecer, 
Mas deixou aquilo que nenhuma força arranca: 
A virtude de recomeçar 
E a serenidade diante do inevitável. 

Hoje agradeço aos sonhos daquele menino, 
Não porque todos tenham florescido, 
Mas porque ensinaram meu coração 
A desejar com esperança 
E a aceitar com sabedoria. 

Se ainda caminho em direção ao futuro, 
Já não é para vencer o tempo, 
Mas para honrar cada passo que ele me concede. 
Quem aprende a governar a própria alma 
Descobre que sempre esteve em casa. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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