quinta-feira, 25 de junho de 2026

Inteiro

Não me cortes em fatias, caminhante; 
A pedra não escolhe qual chuva receber. 
Aceita em mim o inverno e a primavera, 
Pois a alma não se mede por instantes, 
Mas pela serenidade com que permanece. 

Quem abraça apenas o brilho da manhã 
Abandona a coragem que atravessa a noite. 
A virtude não habita as aparências, 
Mas o espírito que suporta o tempo 
Sem negociar a própria essência. 

Não sou apenas o acerto ou o erro, 
Sou o exercício contínuo de tornar-me. 
Assim como o rio aceita cada margem, 
O sábio acolhe a si mesmo por inteiro, 
Sem exaltar nem desprezar o que é. 

Não procures separar minhas sombras; 
Elas também ensinaram meus passos. 
A árvore não renega suas raízes ocultas, 
Porque sabe que delas nasce a firmeza 
Que enfrenta o vento sem se curvar. 

Abraça-me inteiro ou segue teu caminho. 
Nada se perde quando a verdade permanece. 
Quem vive segundo a razão não se divide 
Para agradar aos olhos passageiros; 
Permanece íntegro, e nisso encontra a paz. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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