A pedra não escolhe qual chuva receber.
Aceita em mim o inverno e a primavera,
Pois a alma não se mede por instantes,
Mas pela serenidade com que permanece.
Quem abraça apenas o brilho da manhã
Abandona a coragem que atravessa a noite.
A virtude não habita as aparências,
Mas o espírito que suporta o tempo
Sem negociar a própria essência.
Não sou apenas o acerto ou o erro,
Sou o exercício contínuo de tornar-me.
Assim como o rio aceita cada margem,
O sábio acolhe a si mesmo por inteiro,
Sem exaltar nem desprezar o que é.
Não procures separar minhas sombras;
Elas também ensinaram meus passos.
A árvore não renega suas raízes ocultas,
Porque sabe que delas nasce a firmeza
Que enfrenta o vento sem se curvar.
Abraça-me inteiro ou segue teu caminho.
Nada se perde quando a verdade permanece.
Quem vive segundo a razão não se divide
Para agradar aos olhos passageiros;
Permanece íntegro, e nisso encontra a paz.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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