Onde a noite aprende a soletrar o desejo,
Cada brilho é uma palavra não dita,
Cada silêncio, um verso suspenso,
Que minha alma insiste em ler devagar.
Neles encontro histórias que não foram escritas,
Mas sentidas como febre sob a pele,
São páginas feitas de luz e vertigem,
Onde o amor se revela sem gramática,
E me ensina a linguagem do infinito.
Que obra no mundo ousaria compará-los?
Que autor escreveria tamanha verdade?
Teus olhos não mentem, não fingem, não escondem,
São confessionários sem paredes,
Onde me desnudo sem medo de existir.
Sou leitor cativo de tua profundidade,
Perdido entre linhas que não têm fim,
Cada olhar teu me reescreve por dentro,
Rasga minhas certezas mais antigas,
E me transforma em verso inacabado.
E se um dia esses livros se fecharem,
Restará em mim a memória da leitura,
Como quem tocou o sagrado por instantes,
Pois amar teus olhos é aceitar o mistério.
Ler para sempre, sem jamais compreender.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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