O envelope conhece apenas o vazio.
As palavras caminham sem promessa de chegada.
Ainda assim, insistem em nascer.
Talvez escrever seja uma forma de existir.
Não espero respostas do mundo.
O silêncio também possui uma linguagem.
Cada página revela uma pergunta.
Cada pergunta abre outra ausência.
E sigo habitando esse intervalo.
Há dias em que o sentido parece distante.
Como uma estrada coberta pela neblina.
Então escrevo sem procurar certezas.
A dúvida também é um caminho.
E o caminho transforma quem o percorre.
Se ninguém ler estas cartas.
Nada será retirado do que vivi.
A existência não pede testemunhas.
Ela apenas exige coragem para continuar.
Mesmo quando tudo parece suspenso.
Talvez o destinatário nunca tenha existido.
Talvez eu o tenha inventado para conversar com o infinito.
Cada palavra devolve um fragmento de mim.
Cada silêncio me devolve outro.
E entre ambos continuo escrevendo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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