Eu seguia por caminhos que não tinham placas.
Cada passo mudava a forma do meu silêncio.
Aprendi a reconhecer o peso das ausências.
Encontrei abrigo nas manhãs mais simples.
Deixei que o tempo reorganizasse meus sonhos.
Voltei diferente do que um dia parti.
Passei por lugares onde ninguém sabia meu nome.
Observei o rio levar embora antigas certezas.
Conversei com árvores que resistiam ao vento.
Os livros me ofereceram novas paisagens.
A solidão deixou de ser uma ameaça.
Compreendi que toda espera transforma quem permanece.
E aceitei que nem toda distância significa perda.
Quando nossos caminhos voltarem a se cruzar,
Talvez você reconheça apenas o meu olhar.
O restante terá sido moldado pelas travessias.
Carregarei marcas que não pedem explicação.
Trarei a serenidade de quem aprendeu a partir.
E, se ainda houver um encontro possível,
Ele nascerá do que nos tornamos durante a procura.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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