sábado, 20 de junho de 2026

Delicadeza

Quando penso em sair, teus olhos me chamam, 
Como quem conhece o caminho do meu regresso. 
No silêncio, teu sorriso desfaz minhas certezas, 
E meu coração abandona qualquer despedida. 
Há um abrigo em ti que o mundo desconhece. 

Tua presença repousa sobre a noite serena, 
E o tempo parece esquecer de caminhar. 
Entre nós, o silêncio aprende a dizer tudo, 
Enquanto nossas mãos conversam baixinho 
O que as palavras jamais alcançariam. 

Vejo-te em tua delicadeza desarmada, 
Com a beleza simples de quem não precisa fingir. 
És poesia que a luz da madrugada revela, 
E meu olhar repousa em ti com ternura, 
Como quem contempla o milagre do cotidiano. 

A proximidade faz nascer pequenas eternidades: 
O perfume, o calor, a respiração tranquila. 
Nada precisa ser apressado entre nós, 
Pois o amor conhece o ritmo da espera 
E transforma cada instante em memória. 

Se um dia eu realmente precisar partir, 
Levarei comigo a luz que habita teu abraço. 
Porque amar é permanecer, mesmo distante, 
Na lembrança viva de quem nos completa. 
E em ti, sempre encontro razões para voltar. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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